Intervenções

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terça-feira, 4 de novembro de 2014

Pedro Bandeira encanta plateia no terceiro dia da 8ª Feira do Livro

 

                         Foto: Fabrício Cunha/ Secom
Escritor encantou os presentes e os desafiou a se envolverem com o tema da 8ª FeliS.
 
O terceiro dia da 8ª Feira do Livro de São Luís (FeliS) foi encerrado com a palestra do escritor Pedro Bandeira sobre “Como conquistar quem não gosta de ler”. Em sua apresentação, o escritor encantou os presentes e os desafiou a se envolverem com o tema enquanto instrumento de mudança social.
 
“Nossa responsabilidade de construir um novo Brasil é estupenda”, declarou Pedro Bandeira, durante a palestra da noite desta segunda-feira (3), na sede da Fundação da Memória Republicana do Brasil (FMRB), um dos espaços de realização da FeliS.
 
A Feira do Livro é realizada pela Prefeitura de São Luís e tem como objetivo o estímulo à leitura. Este ano, traz como tema “Literatura Infantil: aqui começa a magia da leitura”. Bandeira é um dos autores mais lidos no país e uma referência incontestável da literatura infanto-juvenil, motivo pelo qual foi convidado para participar do evento. A palestra dele teve como mediadora a bibliotecária Aline Azevedo, da Biblioteca Pública Benedito Leite, que destacou a contribuição do autor para esse público.
 
Em sua exposição, Pedro Bandeira citou, historicamente, o papel que a Bíblia exerceu como iniciação à leitura e trampolim para o hábito de ler, e, consequentemente, o desenvolvimento de nações como Alemanha, Inglaterra e os Estados Unidos das Américas. Ele resgatou a importância que os africanos trazidos, e escravizados, para o Brasil terminaram por disseminar a língua portuguesa entre os próprios portugueses que aqui adotaram o nhengatu, um idioma comum e útil para dialogar com os nativos.
 
“Nós nunca tivemos escolas. A escola brasileira sempre foi da elite. Fomos treinados para excluir. Isso também se passa na sala de aula”, criticou o escritor. Ele lembrou à plateia a exclusão promovida pelo Exame de Admissão, seleção que vigorou até a década de 70 no ensino público para ingresso no curso ginasial, correspondente ao atual Ensino Fundamental 2.
 
No entendimento de Pedro Bandeira, o país ingressou em uma nova fase a partir da conquista da liberdade. “O problema é que não tivemos liberdade. Sempre estivemos sob autoritarismo e ditadura, da descoberta do Brasil até o Getulismo. Depois de 21 anos de ditadura temos hoje a mais recente democracia do mundo”, enfatizou o escritor.
 
Bandeira atribui aos períodos de ditadura a desvalorização dos professores.  Credita aos militares pós-64, o emagrecimento dos salários dos professores. “Só depois da redemocratização o Brasil descobriu que toda criança tem direito à escola. O Brasil está se reconstruindo. O livro ainda não faz parte da vida da população”, afirmou.
 
Para o escritor, o Brasil de 1990 para cá é um outro país. “Já está mudando. Demora, talvez uma geração, mas vai”, afirmou. Pedro Bandeira também exaltou o conhecimento como fonte de riqueza. “Bill Gates, o homem mais rico do mundo, vende conhecimento, vende ideias. Essa é a verdadeira fortuna”, disse o autor.
 
O escritor recomendou aos professores, estudantes, escritores e interessados que assistiram à palestra que procurem não rotular as crianças. “Temos que ter cuidados com o que se fala com o aluno. Só use palavras que o leve para frente”, aconselhou. Sobre como fazer com quem não gosta de ler, Bandeira frisou a atenção com as crianças que têm dificuldade, para apresentar a leitura de forma agradável. “Só se aprende a ler, lendo”, enfatizou.
 
A 8ª FeliS é realizada pela Prefeitura, através da Fundação Municipal de Cultura (Func) e da Secretaria Municipal de Educação (Semed), com correlização do Serviço Social do Comércio (Sesc/MA); patrocínio da Vale; e apoio da Associação dos Livreiros do Estado do Maranhão (Alem) e FMRB.
 
SOBRE O ESCRITOR
Pedro Bandeira possui uma bibliografia de mais de 100 títulos, alguns deles com vendas extraordinárias, como “O fantástico mistério de Feiurinha” e “A droga da obediência”, com quase 2 milhões de exemplares vendidos. São mais de 22 milhões de livros vendidos, prêmios de grandes reputação como o Jabuti, conferido pela Câmara Brasileira do Livro; e títulos recomendados pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.  Além de escritor, Pedro Bandeira trabalhou como jornalista, homem de teatro, publicitário e professor.
 
ALGUMAS OBRAS
O fantástico mistério de Feiurinha
O primeiro amor de Laurinha
Fábulas palpitadas – encantados em verso e comentários
Malasaventuras, Safadezas de Malasartes
O Patinho Feio
Droga Americana!
Os karas – A droga da amizade
A marca de uma lágrima
Pânico na Escola

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